O Regional Sul

Médico atira em policial durante operação em Balneário Camboriú

Um desdobramento violento marcou a Operação “Efeito Colateral” nesta terça-feira (5), em Santa Catarina. Um médico, alvo da investigação que apura um esquema de emissão de atestados falsos para lideranças criminosas, disparou contra um policial militar durante o cumprimento de mandados judiciais.

O incidente ocorreu no momento da abordagem em uma residência. Segundo as investigações preliminares, o suspeito teria aguardado armado a entrada da equipe de segurança no local. Um policial do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT) do 12º Batalhão da Polícia Militar foi atingido na perna. O militar foi socorrido e encaminhado a uma unidade hospitalar, onde apresenta quadro de saúde estável e não corre risco de morte.

O Esquema: Fraude Médica e Prisão Domiciliar

A ofensiva é coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A investigação aponta uma estrutura articulada para retirar criminosos de alta periculosidade do sistema prisional:

  • Modus Operandi: O médico atuaria em conjunto com uma advogada na elaboração de atestados ideologicamente falsos.

  • Simulação de Doenças: Os documentos simulavam comorbidades graves inexistentes para fundamentar pedidos de liberdade ou prisão domiciliar.

  • Público-Alvo: Os principais beneficiados eram detentos do Complexo Penitenciário de Itajaí, especificamente líderes de facções criminosas.

  • Consequência: Uma vez em liberdade, muitos desses criminosos rompiam as tornozeleiras eletrônicas e tornavam-se foragidos da Justiça.

Alcance da Operação e Materiais Apreendidos

A Justiça expediu 35 mandados judiciais, com ações concentradas em Joinville, Itajaí, Balneário Camboriú e em municípios do estado do Paraná. Até o fechamento desta reportagem, parte das ordens judiciais ainda estava em cumprimento.

Durante as buscas, os agentes apreenderam um vasto material que deve subsidiar a continuidade do inquérito:

  • Dispositivos eletrônicos e arquivos digitais.

  • Imagens de atestados, exames e receituários médicos.

  • Registros de diálogos que indicam as tratativas para a falsificação dos documentos.

Providências Jurídicas e Periciais

Todo o material coletado foi encaminhado à Polícia Científica para extração de dados e análise técnica. Além das acusações relativas à organização criminosa e falsidade ideológica, a circunstância do disparo efetuado contra o policial será objeto de um procedimento investigativo próprio para responsabilização criminal específica pelo ato.

Até o momento, a defesa do médico detido não emitiu nenhuma manifestação oficial sobre as acusações ou sobre o confronto com a Polícia Militar.

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