Após rejeição da Polícia Federal, PGR mantém negociações de delação com Daniel Vorcaro
A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu dar continuidade às tratativas para o acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro, fundador e ex-dono do Banco Master. A decisão de manter o canal de diálogo em Brasília ocorre mesmo após a Polícia Federal (PF) recusar formalmente a proposta inicial apresentada pela defesa do empresário, por considerar os relatos insuficientes e desprovidos de elementos novos que justificassem a colaboração.
Diante do posicionamento da corporação policial, a estratégia do corpo jurídico de Vorcaro concentra-se em reformular os termos e os anexos informativos diretamente com a equipe do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O movimento é visto nos bastidores do Judiciário como uma última tentativa da defesa para evitar o colapso definitivo das negociações, o que poderia agravar a situação prisional do ex-banqueiro.
Daniel Vorcaro permanece detido em uma cela comum na sede da Polícia Federal, em Brasília, ala para a qual foi transferido com o propósito de facilitar as reuniões e o desenvolvimento do acordo de colaboração. Os primeiros anexos da proposta haviam sido entregues no início de maio, mas foram classificados como frágeis por investigadores, que apontaram a omissão de fatos já mapeados pela Operação Compliance Zero. Caso as novas rodadas de conversas com a PGR avancem para uma redação final, o termo de delação premiada ainda precisará passar pelo crivo e homologação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).


