Fim da jornada 6×1 opõe trabalhadores e empresários
A aprovação do fim da jornada de trabalho 6×1 pela Câmara dos Deputados, na noite de quarta-feira (27), gerou reações antagônicas entre representantes dos trabalhadores e do setor patronal. Enquanto as centrais sindicais celebram a votação como uma conquista histórica, confederações empresariais e industriais classificam a mudança legislativa como inoportuna e alertam para o risco de aumento de custos, repasse aos preços e insegurança jurídica.
Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Força Sindical e a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a medida concretiza uma das principais reivindicações do movimento sindical nas últimas décadas. Em nota conjunta, as entidades atribuíram o avanço no Legislativo à mobilização social, ao diálogo institucional e ao apoio direto do governo federal, destacando a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As lideranças argumentam que a proposta inclui um horizonte claro de transição para o mercado e defendem que a mudança melhorará a qualidade de vida, baseando-se em experiências internacionais que aliaram redução de jornada a aumento de produtividade e emprego. O posicionamento foi acompanhado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), que ressaltou que o desenvolvimento econômico não pode ser medido pela exaustão da mão de obra.
Em contraponto, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirma que a redução imposta por lei, sem transição adequada e sem ganho de produtividade equivalente, tende a elevar os custos operacionais e pressionar a inflação. A entidade sustenta que a definição de escalas deveria ocorrer por meio de negociação coletiva, preservando a capacidade de adaptação das empresas, e critica a aprovação da matéria sob o que considera ser pressão de um ano eleitoral. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) endossou as críticas, classificando o resultado como um grave retrocesso que anula acordos estabelecidos, rompe contratos vigentes e afronta a Constituição.
O impacto econômico também gerou forte oposição no agronegócio. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) projetou que a medida poderá impor um custo adicional de 4,1 bilhões de reais apenas ao setor produtivo paranaense, referente aos salários e encargos necessários para manter as operações. A entidade argumenta que as especificidades do campo, como a necessidade de trabalho contínuo nos períodos de safra, obrigarão os produtores a arcar com volumes massivos de horas extras ou a realizar contratações extras. A confederação alertou que o prazo curto de adaptação compromete a eficiência e a competitividade de toda a cadeia agropecuária.
Com a conclusão da votação na Câmara dos Deputados, a matéria segue para análise no Senado Federal. As centrais sindicais já iniciaram a convocação de suas bases para manter a pressão sobre os parlamentares e garantir a aprovação definitiva da nova regra constitucional.


