Líder do governo Lula no Senado manteve dezenas de contatos com Daniel Vorcaro, aponta PF
A retirada do sigilo de parte da investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master revelou novos elementos envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), ministros do governo federal e empresários ligados à instituição financeira. Os documentos, cujo sigilo foi levantado por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontam uma série de contatos, viagens e tratativas que agora integram as apurações.
As informações foram divulgadas por diferentes veículos de imprensa com base nos autos da investigação. Os citados ainda poderão apresentar suas versões e exercer o direito de defesa.
Ligações e encontros
Segundo a Polícia Federal, entre os pontos investigados estão 74 ligações telefônicas realizadas ao longo de 555 dias entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e ex-sócio do Banco Master. Conforme o relatório, as conversas somaram mais de cinco horas.
Mensagens obtidas pelos investigadores também indicariam que Wagner teria intermediado um encontro entre Augusto Lima e Jorge Messias, advogado-geral da União. Em um áudio citado pela investigação, o senador afirma que seu gabinete seria um local “mais protegido e discreto” para a reunião.
Proposta envolvendo o FGC
Outro trecho da investigação aponta que Jaques Wagner teria acompanhado discussões sobre uma proposta para elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para R$ 1 milhão. Segundo a PF, a medida poderia favorecer a comercialização de certificados de depósito bancário (CDBs) emitidos pelo Banco Master.
As mensagens analisadas também registram referências de Augusto Lima ao senador como um “aliado político”.
Apoio político e articulações
Conversas atribuídas a Augusto Lima ainda mencionam os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) como favoráveis à negociação envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). As mensagens também fazem referência ao apoio de integrantes do governo à operação.
Em outro diálogo, o ex-ministro Fábio Faria teria sugerido uma aproximação política com lideranças do PT da Bahia após Augusto Lima relatar uma conversa com ACM Neto.
Voos, presentes e apartamento
A investigação também cita viagens realizadas por Jaques Wagner e sua esposa em aeronaves ligadas a Augusto Lima. Segundo a PF, foram identificados pelo menos quatro voos, sem que tenham sido localizados comprovantes de pagamento.
Outro ponto envolve a entrega de ingressos para apresentações da turnê The Eras Tour, da cantora Taylor Swift. Conforme o relatório, Wagner teria solicitado entradas destinadas a familiares.
Os investigadores também analisam mensagens relacionadas ao envio de vinhos de alto valor para lideranças políticas da Bahia e apuram uma suposta negociação envolvendo um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, cuja estrutura financeira estaria sendo utilizada para ocultar o verdadeiro beneficiário do imóvel.
Monitoramento autorizado pelo STF
A decisão do ministro André Mendonça também autorizou, por dez dias, o monitoramento aproximado da localização do celular de Jaques Wagner e de outros investigados por meio de registros de antenas de telefonia. O objetivo, segundo os autos, era reconstruir deslocamentos e contatos considerados relevantes para a investigação.
O sigilo da decisão foi retirado no dia 30 de julho, tornando públicos os documentos que embasam essa fase das apurações.


