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O Regional Sul

Me chamam de ET”: moradora de SC enfrenta 73 cânceres e relata preconceito cruel nas redes

A história de superação da aposentada Hilária Mireski, de 60 anos, moradora de Itaiópolis, no Norte de Santa Catarina, mobilizou milhares de pessoas em todo o país. Após quase três décadas enfrentando uma doença genética rara e convivendo com o preconceito, ela recebeu uma corrente de solidariedade que arrecadou mais de R$ 570 mil para custear seu tratamento.

Hilária convive com a Síndrome de Gorlin-Goltz, uma condição genética rara causada por uma mutação no gene PTCH1, que provoca o surgimento recorrente de tumores, principalmente cânceres de pele.

Desde 1998, ela já enfrentou 73 cânceres de pele, passou por 93 biópsias e foi submetida a diversas cirurgias. Em 2019, a doença evoluiu de forma mais agressiva, levando à retirada de um dos olhos e de parte do nariz para conter o avanço do câncer.

Além da luta contra a doença, Hilária relata que enfrenta diariamente o preconceito por causa das sequelas deixadas pelos tratamentos.

“Me chamam de monstro, me chamam de ET, me chamam de caveira nas redes sociais. A gente sofre muito preconceito na rua”, desabafou.

A aposentada vive com um salário mínimo e afirma que os medicamentos necessários para manter o tratamento ultrapassam R$ 3 mil por mês. Em um dos períodos mais difíceis, chegou a ficar nove meses sem acesso ao medicamento de quimioterapia oral, que custa mais de R$ 30 mil, enquanto aguardava uma decisão judicial para recebê-lo.

Campanha mobilizou milhares de pessoas

A situação ganhou repercussão após o influenciador Willian Braz, conhecido pelo canal Willian da Bondade, compartilhar a história de Hilária nas redes sociais.

O vídeo ultrapassou 649 mil curtidas e gerou uma grande mobilização. No dia 18 de julho, foi criada uma campanha de arrecadação com meta inicial de R$ 100 mil.

Em apenas 11 dias, a vaquinha superou todas as expectativas e arrecadou mais de R$ 570 mil, com a contribuição de mais de 11,8 mil doadores.

Segundo os organizadores, o valor permitirá que Hilária mantenha o tratamento, tenha acesso contínuo aos medicamentos e melhore sua qualidade de vida.

Depois de anos enfrentando a doença praticamente sozinha, a aposentada passou a receber apoio de milhares de pessoas, transformando uma história marcada pela dor em um exemplo de solidariedade.

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