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O Regional Sul

Analista questiona metodologia da Quaest e aponta possíveis distorções na projeção do segundo turno

Esteter critica estimativas de comparecimento às urnas, transferência de votos e composição demográfica da amostra; Pesquisa Quaest aponta Flávio Bolsonaro com 45% e Lula com 44% das intenções de voto no segundo turno;

Uma análise divulgada por Henrique Esteter questiona aspectos metodológicos da pesquisa Quaest para o segundo turno da eleição presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). No vídeo, o analista examina as estimativas de comparecimento às urnas, a transferência de votos de candidatos derrotados no primeiro turno e a composição demográfica da amostra, argumentando que essas variáveis podem influenciar a projeção dos votos válidos.

Entre os principais pontos levantados está a estimativa de participação eleitoral. Segundo os cálculos apresentados por Esteter, para que determinada projeção atribuída à pesquisa se concretizasse, seria necessário um comparecimento muito superior ao registrado no primeiro turno.

Questionamento sobre abstenções e votos válidos

Esteter ainda afirma que o cenário utilizado em sua análise pressuporia a participação de aproximadamente 141,3 milhões de eleitores no segundo turno. O número representa cerca de 22 milhões a mais do que os 119,3 milhões de votantes mencionados pelo analista como comparecimento no primeiro turno.

Na sequência, ele argumenta que, para alcançar esse resultado, a soma de abstenções, votos brancos e nulos teria de cair de um patamar histórico próximo de 25% para aproximadamente 11%.

A partir dessa premissa, Esteter questiona se as estimativas de comparecimento utilizadas no modelo seriam compatíveis com o comportamento histórico do eleitorado brasileiro.

A avaliação, entretanto, depende das premissas e dos cálculos adotados pelo analista. A projeção de comparecimento não deve ser confundida automaticamente com uma estimativa oficial da Quaest sem a conferência do relatório técnico e da metodologia específica empregada pelo instituto.

Transferência de votos de candidatos derrotados

Outro ponto da análise envolve os eleitores que votaram em candidatos que não avançaram para o segundo turno.

Segundo os números citados por Esteter, 43% desse grupo declararia intenção de votar em Flávio Bolsonaro, enquanto 37% escolheria Lula. O analista utiliza essa diferença para sustentar que a transferência de votos poderia favorecer o senador na disputa final.

Com base nesses percentuais e em um modelo matemático próprio, ele argumenta que a distribuição dos votos do primeiro turno, combinada à migração de eleitores de outras candidaturas, produziria um cenário diferente daquele sugerido pela pesquisa.

A interpretação exige, contudo, considerar que a intenção declarada de voto não garante o comportamento efetivo na urna. Também é necessário verificar a base de entrevistados utilizada para calcular a transferência, a proporção de eleitores ainda indecisos e a possibilidade de abstenção em cada grupo.

Composição demográfica da amostra

Esteter também questiona o uso de dados demográficos do Censo em vez de informações mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) para calibrar amostras eleitorais.

Na avaliação apresentada no vídeo, diferenças na estimativa da proporção de evangélicos e católicos poderiam alterar a composição da amostra e, consequentemente, os resultados encontrados. O analista argumenta que uma eventual sub-representação de eleitores evangélicos e uma proporção maior de católicos poderiam influenciar os percentuais atribuídos aos candidatos.

Esse argumento depende da demonstração de que os dados utilizados na pesquisa efetivamente produziram uma distorção relevante. A comparação entre Censo e PNAD, isoladamente, não comprova viés eleitoral: é necessário examinar os critérios de ponderação, as variáveis utilizadas e a relação entre religião e intenção de voto na amostra.

Pesquisas e influência sobre o eleitorado

Em outro trecho, Esteter sustenta que a divulgação de pesquisas com diferenças pequenas pode influenciar a percepção dos eleitores e o engajamento das campanhas. Para ilustrar o argumento, ele estabelece um paralelo com a eleição mexicana de 1988, quando a divulgação dos resultados foi marcada por controvérsias.

O analista também apresenta uma projeção própria segundo a qual, caso as variáveis de abstenção fossem ajustadas às médias históricas utilizadas em seu cálculo, Flávio Bolsonaro alcançaria entre 51% e 53% dos votos válidos.

Essa faixa deve ser entendida como uma estimativa de Esteter, e não como resultado confirmado por pesquisa eleitoral ou previsão oficial. O cálculo depende das premissas escolhidas e precisaria ser reproduzido e confrontado com os microdados e os procedimentos metodológicos para que sua robustez pudesse ser avaliada.

O que diz a pesquisa Quaest

A pesquisa Quaest divulgada em 21 de outubro apresentou Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto e Lula com 44% no segundo turno. A margem de erro é de dois pontos percentuais, o que caracteriza empate técnico entre os candidatos. Nos votos válidos calculados a partir desses percentuais, Flávio aparece com 50,56% e Lula, com 49,44%.

O levantamento ouviu 2.154 eleitores com 16 anos ou mais, entre 17 e 20 de outubro, em todas as regiões do país. O nível de confiança informado foi de 95%, e a pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08535/2026.

A Quaest também já explicou publicamente que utiliza um modelo de eleitor provável para estimar os votos válidos, considerando a probabilidade de comparecimento de diferentes segmentos do eleitorado. Segundo o instituto, o cálculo leva em conta fatores como perfil demográfico, histórico de participação e motivação individual para votar.

As críticas de Henrique Esteter levantam questões sobre as premissas usadas para projetar o resultado eleitoral. Para determinar se há efetivamente falhas na metodologia da Quaest, porém, é necessário confrontar os cálculos apresentados no vídeo com o relatório completo da pesquisa e com os critérios estatísticos adotados pelo instituto.

 

Veja o vídeo

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