Delegada da PF é afastada sob suspeita de espionagem para Vorcaro
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (14), a 6ª fase da Operação Compliance Zero, que resultou no afastamento das funções da delegada Valéria Vieira Pereira da Silva. A servidora foi alvo de busca e apreensão por suspeita de atuar como “espiã” em favor de investigados no chamado caso Master.
Esquema de vazamento e rede de influência
As investigações apontam que a delegada teria vazado o conteúdo de um inquérito sigiloso a respeito do empresário Henrique Vorcaro. O fluxo de informações envolvia agentes ativos e aposentados da corporação:
-
Intermediação Familiar: O marido da delegada, Francisco José Pereira da Silva, que é agente aposentado da PF, é apontado como participante do repasse de dados sigilosos.
-
Conexão com o Banqueiro: Os dados eram entregues ao policial federal aposentado Marilson Roseno, que presta serviços para o banqueiro Daniel Vorcaro — este último preso preventivamente durante a operação de hoje.
-
Atuação da “Milícia Privada”: As informações abasteciam o grupo conhecido como “A Turma”, uma organização que atuaria como milícia privada de Vorcaro para monitorar e intimidar adversários.
-
Coordenação Técnica: O grupo seria coordenado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, que tirou a própria vida após ser preso pela PF em março.
Acesso indevido e detalhamento das provas
A PF identificou que a delegada, lotada em Minas Gerais, acessou indevidamente em 2024 um inquérito conduzido pela PF de São Paulo. Henrique Vorcaro havia sido intimado a depor neste processo específico. Segundo a corporação, o conteúdo compartilhado por Valéria era suficientemente detalhado para permitir que o grupo criminoso identificasse pessoas visadas e o objeto exato da investigação.


