Gilmar Mendes solicita inclusão de Romeu Zema no Inquérito das Fake News
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou formalmente a inclusão do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), no inquérito que investiga a disseminação de informações falsas e ataques a instituições. O pedido foi direcionado ao ministro Alexandre de Moraes, relator da matéria na Corte, e fundamenta-se na publicação de um vídeo que utilizaria tecnologia de inteligência artificial para manipular falas de magistrados.
Fundamentação da notícia-crime e uso de tecnologia
A solicitação baseia-se em um conteúdo veiculado em redes sociais que, segundo a acusação, faz uso de deepfake — técnica que utiliza inteligência artificial para simular vozes e expressões de pessoas reais com elevado grau de verossimilhança. Na peça processual, Gilmar Mendes afirma que o vídeo utiliza edição profissional para emular as vozes de ministros da Suprema Corte com o objetivo de atingir a imagem e a credibilidade do Tribunal.
O magistrado classificou o material como uma tentativa deliberada de desinformação por meio de mecanismos tecnológicos avançados, voltada a influenciar a percepção pública sobre a atuação do Poder Judiciário.
Status processual e próximos passos
O processo tramita sob sigilo judicial e os autos também foram encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão ministerial deverá emitir um parecer sobre a abertura da investigação ou a inclusão formal de Zema no inquérito. Atualmente, o caso aguarda a manifestação da PGR e a decisão subsequente do relator, Alexandre de Moraes.
Contexto de críticas públicas
Antes do encaminhamento da notícia-crime, houve registros de críticas públicas desferidas pelo ministro Gilmar Mendes contra o ex-governador em plataformas digitais. Mendes pontuou o que chamou de ironia no fato de o político criticar o STF após ter utilizado a instância jurídica em momentos anteriores de sua gestão.
O uso de deepfakes em contextos políticos tem sido um tema de debate crescente nos tribunais superiores e órgãos eleitorais, devido ao potencial de impacto na integridade de processos institucionais e na disseminação de narrativas desprovidas de base factual.
Foto: Dirceu Aurelio


