O Regional Sul

Segunda baleia é encontrada morta em Jaguaruna em cerca de 24 horas

O litoral de Jaguaruna registrou o segundo encalhe de baleia em um intervalo de apenas um dia. Na manhã desta quinta-feira (21), a carcaça de uma baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) foi localizada na faixa de areia do Balneário Campo Bom. O fato ocorre cerca de 24 horas após um animal de outra espécie ter sido encontrado morto na Praia do Arroio Corrente, na mesma cidade.

O espécime localizado nesta quinta-feira foi identificado como um macho juvenil, medindo cerca de nove metros de comprimento. Diferente do primeiro animal encontrado nesta semana, este corpo não apresentava sinais avançados de decomposição. Equipes especializadas do Museu de Zoologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), que atuam no Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP), foram mobilizadas para realizar os procedimentos biológicos padrão e coletar amostras de tecido, pele e gordura. Os exames laboratoriais devem auxiliar na identificação das causas que levaram ao óbito do cetáceo.

De acordo com as avaliações preliminares conduzidas pelos biólogos e veterinários no local, não foram constatadas evidências de interação antrópica na carcaça da baleia-jubarte — termo técnico que descreve impactos provocados por atividades humanas, tais como colisões com embarcações comerciais ou aprisionamento em redes de pesca. A prefeitura do município, por meio do Instituto do Meio Ambiente de Jaguaruna (IMAJ), providenciou o apoio logístico necessário para efetuar o sepultamento do animal na própria região do encalhe, seguindo o protocolo de manejo sanitário padrão para incidentes com grandes mamíferos marinhos.

Sequência de Encalhes Mobiliza Órgãos Técnicos

A sequência de ocorrências em Jaguaruna acendeu um alerta entre pesquisadores da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca. Na manhã da última quarta-feira (20), o município já havia registrado o encalhe de uma baleia-de-Bryde (Balaenoptera edeni), um macho adulto de aproximadamente 13 metros de comprimento, na Praia do Arroio Corrente.

A ocorrência simultânea de espécimes de biotipos diferentes e em pontos próximos exige uma análise correlativa por parte dos institutos de monitoramento. Embora o litoral catarinense funcione como uma rota migratória natural para diversas espécies de cetáceos em direção a águas mais quentes durante este período do ano, o intervalo reduzido de aproximadamente 24 horas entre os episódios demanda investigações aprofundadas para descartar anomalias oceânicas ou patologias que possam estar afetando as populações marinhas na costa sul do estado.

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